A pandemia do novo coronavírus fez com que a população mundial entrasse em isolamento social, fazendo as pessoas se esconderem em suas casas com muitas incertezas na cabeça e isso não foi diferente no Brasil.

O Brasil, antes da pandemia, já era considerado o país com a população mais ansiosa do mundo e o isolamento social agravou essa situação. Mesmo com o afrouxamento sobre as restrições do isolamento social, as dúvidas na cabeça das pessoas se mantiveram, muito em função do considerado “novo normal”. Dentro do “novo normal” houve a alteração da forma de trabalhar, com muitas empresas incentivando o home office ou alterando a rotina de trabalho de seus colaboradores, alteração na forma de estudar, onde as escolas estão fechadas para ensino presencial e forçando até crianças usufruírem do ensino a distância, e até alteração no envolvimento social, mudando como as pessoas se comunicão ou se preocupam com sua higiene. Claro que tudo isso foi em prol da saúde de todos, porém, formam mudanças drásticas e repentinas, onde, mesmo que a saúde física tenha sido preservada, acabou por prejudicar a saúde mental de várias pessoas.

O aumento da ansiedade e estresse emocional, causados pela pandemia do novo coronavírus, pode vir a desencadear problemas ainda maiores como a depressão.

Primeiramente vamos entender um pouco mais sobre ansiedade e depressão.

 

  • O que é Ansiedade?

Ansiedade é um sentimento ligado a preocupação, nervosismo e medo intensos. Esse sinal de alerta é uma reação natural do corpo para ajudar em novos desafios e situações de perigo.

É comum nos sentirmos ansiosos para realizar atividades do dia a dia, como uma prova difícil, uma entrevista de emprego, uma viagem de negócios etc. O problema é quando isso toma proporções mais sérias e começa a afetar nossa rotina, desencadeando o chamado transtorno de ansiedade, uma doença psiquiátrica que deve ser tratada.

Sintomas comuns de uma crise de ansiedade são:

– Tristeza;

– Angústia;

– Nervosismo;

– Sofrimento por antecipação;

– Dificuldade de concentração;

– Irritabilidade;

– Falta de ar.

 

  • O que é Depressão?

Depressão é uma doença psiquiátrica crônica e recorrente que produz alterações de humor.

Esse transtorno psiquiátrico que atinge milhões de pessoas em todo o mundo.

Os principais sintomas são:

– Tristeza profunda sem explicação;

– Baixa autoestima seguido de sentimentos de inutilidade;

– Mudança de apetite;

– Ganho ou perda de peso;

– Insônia;

– Dormir em excesso;

– Sentir-se sem esperança;

– Sentir-se culpado;

– Dores físicas.

 

  • Qual a diferença entre Ansiedade e Depressão?

A ansiedade e a depressão andam lado a lado e podem ser acompanhadas uma da outra. A diferença entre elas é o diagnóstico dado por especialistas, uma vez que é necessária uma análise profunda para entender os fatores como histórico familiar, experiências passadas e o ambiente em que o paciente vive.

Depois de todos esses fatores serem analisados, o médico indica o tratamento mais adequado. Em ambos os casos, a primeira recomendação costuma ser medicação junto com psicoterapia. Em geral, ansiedade e depressão são condições que exigem tratamento a longo prazo e merecem atenção adequada.

 

  • Ansiedade dos estudantes

Na grande maioria dos estudantes a ansiedade já era um sentimento que ocorria em função das pressões da vida acadêmica seja com trabalhos, provas, vestibulares, concursos e vários outros motivos e com isolamento social surgiu diversas incertezas com cancelamentos de várias atividades e a alteração da rotina acadêmica com aulas a distância. As preocupações aumentaram sobre como seria esse novo método de estudo, se teriam ferramentas disponíveis para esse módulo, o convívio e problemas familiares em função da quarentena, e outros problemas que vão aparecendo.

Toda essa situação fez com que a procura por atendimento psicológico aumentasse cerca de 25%, por parte de estudantes, sendo, a maioria dessa procura, feita pelo próprio estudante.

 

  • Ansiedade no ambiente de trabalho

Seja no trabalho ou no estágio, diversas coisas aconteceram no ambiente profissional durante a pandemia, começando pelo fechamento, temporário, das atividades de várias empresas, após isso aconteceram as férias forçadas, afastamentos, redução de salários, alta probabilidade de demissão e a volta ao trabalho com risco de contrair a doença do novo coronavírus, assim aumentando ainda mais ansiedade e a depressão.

Outro fator que deve ser lembrado é o home office que muitas empresas incentivaram e vários funcionários não se adaptaram ou não estavam preparados para a situação, isso gerou ainda mais um sentimento de incapacidade e baixa autoestima levando a quadros de crise de ansiedade e depressão.

 

  • 8 Dicas para lidar com a ansiedade com o “novo normal”

Ficar concentrado na doença, do novo coronavírus, pode gerar uma obsessão mental sobre a situação e desenvolver mais ainda a ansiedade.

É importante manter um cuidado pessoal com uma alimentação balanceada, hidratação e ocupar a mente com outras coisas.

  1. Filtre as informações sobre o assunto

Com o acesso a internet, encontramos, facilmente, informação sobre tudo, a todo momento, e o excesso de informações e notícias, sobre o vírus e outros acontecimentos ruins, pode gerar um aumento ou crise de ansiedade. Por isso é importante saber filtrar o que buscamos ou lemos na internet.

Tente sempre priorizar fontes confiáveis e evite espalhar notícias duvidosas pelo WhatsApp.

 

  1. Fale, converse com pessoas queridas

Procure entrar em contato, nem que seja por meio de uma ligação de voz ou vídeo, com pessoas queridas, como amigos ou familiares. Isso pode diminuir a sensação de distanciamento.

 

  1. Leia livros e assista filmes

Ler um livro e assistir a um filme podem ser bastante eficazes para lidar com a ansiedade, contanto que você realmente se entregue à atividade. Não adianta abrir o livro e ficar pensando na pandemia, é preciso realmente se deixar levar.

 

  1. Faça exercícios físicos

Praticar exercícios físicos é uma ótima maneira de combater o estresse, a ansiedade e a depressão. Além disso, também melhora a autoestima, a qualidade do sono e a concentração.

 

  1. Faça exercícios de respiração

A respiração é bem poderosa, pois é capaz de diminuir nossos níveis de ansiedade. Quando estamos em uma crise de ansiedade, ficamos muito ofegantes e um exercício respiratório pode ajudar muito nessas situações.

 

  1. Não fazer tudo no mesmo dia

Na ânsia de manter tudo em ordem e ocupar a mente, é comum que as pessoas em isolamento social tentem resolver todas as tarefas de uma vez.

É aconselhável que as atividades sejam feitas de maneira parcelada para que elas não se esgotem rápido demais.

 

  1. Manter uma rotina, mesmo em casa

Mesmo estando em casa, é importante evitar o pensamento de querer fazer qualquer coisa, a qualquer hora. Uma rotina é fundamental para esse momento.

 

  1. Faça terapia

Se você não sabe como lidar com a ansiedade e sente que precisa de auxílio psicológico para trabalhar todas as suas questões, não hesite em procurar um profissional.

Se o seu caso for leve, talvez todas as dicas anteriores sejam o suficiente, no entanto, se for mais acentuado você deve buscar ajuda na terapia.

 

  • O que as empresas podem fazer para minimizar problemas com a saúde mental de seus colaboradores?

Tanto no trabalho presencial ou home office, a ansiedade atrapalha as pessoas em sua produtividade e sua vida profissional

As empresas e gestores podem tomar pequenas atitudes que podem minimizar esses problemas que afetam a saúde mental de seus colaboradores, como:

– Evitar pressões desnecessárias;
– Em qualquer situação não permitir situações de assédio e humilhação no ambiente de trabalho;
– Incentivar socialização e colaboração entre os funcionários;
– Respeitar horários de trabalho e descanso;
– Permitir pequenos períodos de desconexão com o trabalho e responsabilidades;
– Ter pessoal qualificado para ouvir e ajudar funcionários que estejam em situações difíceis, sejam elas profissionais ou pessoais.